Apologética, 22/25: Maria foi a Sempre Virgem?

O nosso Salvador foi concebido pelo poder do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria. Estamos a pensar, portanto, no nascimento temporal do Filho de Deus. Quanto ao nascimento eterno, nós não podemos circunscrevê-lo a um momento preciso, já que a existência do Filho de Deus é desde toda a eternidade: existiu, existe, sempre existirá; há em Deus um eterno presente.

Quanto ao nascimento do Filho de Deus que aconteceu em Belém, como nós sabemos pela Sagrada Escritura, terminado o tempo normal da gestação, Maria deu à luz (cf. Lc 2,6-7). O Verbo Divino veio ao mundo através de uma Mulher que antes de conceber era Virgem, que durante o nascimento de Jesus Cristo permaneceu virgem e que depois de dar à luz permaneceu virgem. Os antigos Padres – penso naqueles do século III e IV d.C. – gostavam de afirmar que assim como os raios do sol passam através do vidro sem quebrá-lo e sem manchá-lo, assim também Jesus nasceu sem quebrar e sem manchar a sempre-íntegra virgindade de Nossa Senhora.

Assim como convinha a quem tem como Pai natural o próprio Deus que não tivesse outro pai natural aqui na terra, de maneira semelhante também convinha a quem nasce de Deus desde toda a eternidade que manifestasse de alguma maneira a sua admirável e misteriosa existência eterna através de um nascimento temporal especial, virginal, maravilhoso. Por isso, a virgindade perene de Maria é sinal de que o seu filho é verdadeiramente Filho de Deus. A virgindade perpétua de Nossa Senhora é uma dessas verdades de fé que nós encontramos de maneira implícita na Sagrada Escritura, explícita na Tradição da Igreja e sempre defendida pelo Magistério da Igreja. A Sagrada Escritura dá a entender que Maria foi virgem também durante o parto pela rapidez com que ela cuida do Menino que acabou de nascer: logo após dar à luz, ela o envolve em faixas e o reclina num presépio (cf. Lc 1,7). São Jerônimo (+420) era categórico: “admitimos que uma mãe fica manchada pelo sangue (…), mas que ninguém pense isso da Mãe do Salvador”. Santo Agostinho (+430) guardava também a mesma verdade de fé: “Maria foi virgem ao conceber o seu Filho, virgem durante a gravidez, virgem no parto, virgem depois do parto, sempre virgem”. O primeiro concílio ecumênico que utilizou a fórmula “aeiparthenos” (sempre virgem) referindo-se à Maria foi o II de Constantinopla (ano 553). O grande defensor da virgindade absoluta de Maria foi Santo Ildefonso de Toledo (+ 667), inclusive através do seu tratado “De virginitate perpetua sanctae Mariae contra infideles”, o qual, é o primeiro livro escrito no Ocidente para defender a virgindade perpétua de Maria.

Diante da dificuldade de provar esta verdade de Fé por passagens bíblicas exatas, os grandes mestres da fé cristã, receberam o dado da Tradição, e aduziram várias razões de conveniência; entre eles, Santo Tomás de Aquino. O doutor angélico afirma (cf. Cf. S. Th. III, 28) que era conveniente que Maria tivesse um parto virginal pelas seguintes razões: 1ª) era conveniente que aquele que nasceu incorruptivelmente do Pai expressasse o nascimento eterno através do parto incorruptível de sua mãe; 2ª) o Verbo, que viria curar nossos males e corrupções, não deveria lesionar a virgindade de sua mãe ao nascer; 3ª) o nascimento milagroso do Verbo mostra que ele cumpre o quarto mandamento, pois até no momento de nascer honra sua mãe. Ora, quem concebeu sem concurso de um homem, pode muito bem, pela graça de Deus, dar à luz tendo preservada sua virgindade. Ou seja, o parto virginal é fruto da concepção virginal.

(Livro interessante para a leitura: Ildefonso RODRIGUEZ VILLAR, Vida de Nossa Senhora. Meditações, São Paulo: Cultor de Livros, 2016, 296 p.)

 

Pe. Dr. Françoá Costa

Curso de Apologética, 22/25

Faculdade Católica de Anápolis – 11/2019

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